Além de todos os obstáculos morais, Mary enfrenta também a natureza inóspita da montanha dos Mackenzie e, em meio a uma forte nevasca, segue para a fazenda deles. No meio do caminho, encontra Wolf. Agora, Mary sabe que também terá de amaciar o coração amargurado de Wolf e ensiná-lo a maior de todas as lições da vida: a capacidade de amar e de se deixar ser amado.
Esse livro se passa na pequena cidade de Ruth, no Wyoming, e traz aquela vibe de romance com tensão, preconceito e personagens cheios de personalidade.
A gente acompanha Mary Elizabeth Potter, uma professora de 29 anos super certinha, tímida e sem nenhuma experiência amorosa. Ela já aceitou que provavelmente vai acabar sozinha, mas pelo menos sabe que é boa no que faz. Tudo muda quando um dos seus alunos mais brilhantes, Joe Mackenzie, simplesmente abandona a escola. Intrigada e determinada, Mary decide ir atrás dele — mesmo tendo que subir a montanha onde ele mora, no meio do nada.
É aí que entra Wolf Mackenzie, pai do garoto. E olha… ele é aquele típico personagem que rouba a cena fácil. Wolf é fechado, ranzinza, meio amargurado e carrega um passado pesado: já foi preso injustamente e, mesmo depois de inocentado, continua sendo julgado pela cidade — tanto por isso quanto por ser mestiço, com ascendência indígena. Ele vive isolado com o filho e só recebe alguma “consideração” das pessoas quando precisam do talento dele como treinador de cavalos.
O contraste entre Mary e Wolf é o que faz a história brilhar. Ela é toda organizada, inocente e direta. Ele é intenso, cheio de conflitos e claramente luta contra o que sente por ela. A relação dos dois vai se desenvolvendo aos poucos, com bastante tensão, troca de provocações e momentos que prendem a atenção. E quando o romance esquenta, as cenas mais picantes também não deixam a desejar.
Outro ponto positivo é o ritmo da história: não é corrido demais, mas também não fica parado. Desde o começo, a trama já te prende, seja pelo mistério do garoto que saiu da escola, seja pela relação complicada entre os personagens ou até por um suspense que surge depois, envolvendo ameaças às mulheres da cidade.
Os personagens são muito bem construídos, principalmente o Wolf, que tem várias camadas e vai sendo revelado aos poucos. Mary também é interessante, mesmo sendo mais “simples” de entender, porque a gente vê ela saindo da zona de conforto ao longo da história.
Agora, nem tudo são flores. Um ponto que pode incomodar é o nível de preconceito mostrado no livro. Em alguns momentos, parece até exagerado, a ponto de dar a impressão de que a história se passa em outra época, tipo um romance histórico — quando na verdade não é bem assim. Isso pode causar um certo estranhamento, principalmente pela forma como esse comportamento é tratado como algo comum na cidade.
